segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sobre direção, teatro e vassouras.

O diretor permite que as imagens aconteçam, talvez seja uma das parábolas de uma boa direção a arte de permitir que as coisas venham do sensível e ganhem qualquer concretude no palco. O que é curioso já que o palco também é um cenário do abstrato na maioria das vezes. Ontem ao término do espetáculo a moça da limpeza aplaudiu, resolveu assistir a peça e parecia encantada com as coisas, porém, ao término da peça uma chave social virou, pois de espectadora ela voltou a ser funcionária, funcional, levantou-se e colocou-se a varrer o mesmo palco onde ela havia enxergado (esperamos) um naufrágio, um albergue, Roma, o mar e enfim, uma sequência de imaterialidades que ao término de 50 minutos puderam ser varridas por uma espectadora em especial, Ela nos deu uma aula de: Concretude.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

... eis a confusão, o que é abstrato neste papo todo é o fim das coisas, já o tão injustiçado tempo, este sim, é concreto, pois se firma em um bloco de sensações que percorre metade das nossas vidas, a outra metade é justamente a falta dele. Portanto, o fim, um bem que pode escapar aos dedos humanos, eis a grande maldição! Não ir de encontro ao próprio final, por pura falta de tempo. Abstrações a parte, um Deus de metralhadora olha por ti e dispara suas próprias economias em corações despreparados, você não esperava morrer agora, mas, aceite, será melhor, morreu. Afinal, de concretude o inferno ( ou a melancolia coletiva) está cheio.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Lorca -

Piazzoleando Perdi-me muitas vezes pelo mar Com o ouvido cheio de flores recem-cortadas Com a lingua, cheia de amor e de agonia Muitas vezes me perdi pelo mar Como me perco no coração de alguns meninos Porque as rosas buscam em frente Uma dura paisagem de osso E as mão do homem não tem mais sentido Que imitar as raízes sobre a terra Como me perco no coração de alguns meninos Perdi-me muitas vezes pelo mar Ignorante da água Vou buscando uma morte de luz que me consuma

terça-feira, 1 de maio de 2012

Desfavor parte I O logo da Google no dia do trabalho, um sujeito levantando uma armação de concreto. Por essas e outras que minha mãe jura que eu não trabalho ...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

www.astralbanal.com.br

Uma alma que foge do Estíge para anunciar algo ou pedir unguento aos vivos deve gaguejar, pois não acredito em entidade metafísica com boa dicção. Não existe epifania sem chiado de televisão.

domingo, 29 de abril de 2012

I hurt myself today

O sentido da vida. Parece-me essencial discorrer à respeito das formas de vida que a existência nos apresenta, de forma que, a minha própria forma alcance a tomada de consciência ainda que por meio das palavras – Palavras definem procedimentos, ao menos na minha cabeça, e, portanto, palavras são toda a verdade que precisamos para medir 1,2 ou 3 arquiteturas intelectuais e sensíveis. Neste caso o texto ganha um caráter enciclopédico de definir as coisas, mas a escolha do vocabulário é quem define o sentido real das coisas. Uma pena termos perdido grande parte do sentido das palavras. Sobre a dor em primeiro lugar – A dor física é nada diante das chicotadas no espírito, uma ferida na carne pode-se lamber e com o sabor do próprio sangue vir a projetar a gravidade do ferimento, já o espírito não se pode experimentar, esta aí uma força vital que não se pode lamber ou imaginar o gosto, ao contrário da carne o espírito não cheira. Portanto os males da alma devem ser expressos de forma lírica “eu te amo”,” eu te odeio”, e já os males do corpo, estes rasteiros e banais diante do já citado, cheiram, exalam e comunicam-se com o outro desta forma direta e menor, desta forma tátil. Quando bebês as dores físicas são sim as mais fundamentais, mas a medida que crescemos e tomamos qualquer tipo de consciência e temos qualquer opinião diante da vida, tendemos a perceber o fim das coisas, o fim dos nossos menores problemas, tais como a fome, a sede e a dor. Estas nada são diante da saudade, do amor, do ódio e das frustrações. Ontem mesmo, com o socar da chuva nas telhas, deitei ao lado de um bebê que ninava profundo, cada inspiração me deixava aflito do pequeno ser levitar e eu perder o controle sobre ele, pensei: “tu dormes macio e nem precisas pensar que precisamos sobreviver”, um sentimento Encólpio (Satyricon), eu “heroífiquei-me” diante da criança, como se com a tomada de consciência eu fosse mais e, portanto, muito diante dele. Diante dos inocentes a consciência tende a ver-se no macro. Todos os dois, o inocente e o consciente, uma denominação humana de ser, uma forma boba de ver-se diante do mundo, quase uma representação do nada que o lírico pretende na poesia.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Cidadão, indivíduo, sujeito, pessoa e aniversariante. Um sujeito pacato deveria mesmo fazer aniversário em uma segunda-feira. - Vamos mesmo fingir que hoje é o dia que você nasceu? Tito, você anda perdendo muitas chances! Se desde o teu primeiro sorriso você andasse carregando um dicionário e se permitisse ler ao menos 3,4 palavrinhas ao dia, você teria um vocabulário nove, dez ou vinte vezes maior, melhor e mais interessante do que o que possui, percebe como você anda se desperdiçando? Você tem 21 anos e já foi o feliz portador de quatro sequências numéricas que correspondiam ao teu telefone celular. Chegaremos a uma dezena sem o menor esforço. Em 2018 talvez. Te assusta essa pergunta? Quantas pessoas lembram-se do teu rosto? A resposta te assustaria muito mais. Eu só faço aniversário porque o calendário ocidental foi feito as pressas e não tiveram tempo de inventar meses que não viessem a se repetir durante uma vida inteira, eu tou nascendo outra vez por falta de tempo e por preguiça humana. Queria algumas confirmações: Tito, você nasceu para ser engenheiro ambiental! (facilitaria bastante! assim eu poderia me programar a fugir melhor do meu destino.) Tito, você viverá o fim da sua vida como morador de rua. (olha, eu agradeceria se soubesse com antecedência, pois planejamos muito melhor essas coisas quando temos uma casa.) Tito, você não ficará rico. (facilitaria muito, assim eu deixaria de tentar, compreende?) Tito, você será pai. (eu já começaria hoje mesmo a reler fábulas e estudar roteiro para desenhos animados, acho que não quero meu filho crescendo com culpa-cristã-disney.) Tito desista. Todas as tuas ações darão no seu contrário e por toda a tua vida intenção e gesto não se encontrarão e você não conseguirá muitas coisas. Já o que conseguir não merecerá. A meritocracia escorregará pelos teus dedos e sua existência se resumirá em frustração humana. (tudo bem, eu aceito, mas exijo felicidade nos intervalos.) Sobre a eternidade : Se o mundo acabar tudo se perderá. Ou pior, se todas as pessoas terminarem, as coisas continuarão por aí... No entanto vazias de significado, sem diálogo com o homem os objetos são dejetos. Não me projeto com 30 anos, mas poderia fazer um retrato fiel do meu rosto no futuro. Vejo-me velho e não me vejo balzaquiano. Sei que logo terei de ler a Divina Comédia. Continua...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

O herói arquetípico - Primeira definição curta - Um esboço de formalização.

O herói arquetípico é um "EU" que corresponde a "VOCÊ". Sua trajetória é sustentada pelo "NÓS" do mundo, ele se aplica por uma individualidade universalizada. Uma subjeção na particularidade do individuo que organiza formas humanas em classes, tipos, arquétipos por excelência. Hércules, Hamlet, Superman, pais e filhos, todos uma denominação da força que move os detentores da vontade do herói arquetípico em direção ao caminho da sabedoria.

Um caminho específico que ao mesmo tempo se fragmenta em todos os outros caminhos do mundo.

Por exemplo: O arquétipo do fogo é destruir, mas também o gelo dissipa a matéria, a água pode minar e a terra absorver, todos estes são arquétipos do tempo. São formas únicas que se organizam por todos os materiais. Pessoas universalizadas, mesmo que em sua jornada individual. Agentes do inconsciente coletivo em uma missão egóica.

as bobas premonições do mundo.

morrer com tiros no peito.

viver na rua e vagar por uma cidade praiana.

dirigir até curitiba.

casar cedo.

sobreviver a um desastre, nadar até uma ilha, salvar alguém.

ser colaborador de alguma revista com baixa circulação.

namorar uma professora e cansar das reclamações que ela fará dos alunos.

passar alguns meses em uma rotina de ir para a usp.

ficar dois meses no rio.

encontrar com alguma entidade no mar.

receber mensagens ( do além ) expedidas pelo meu avô paterno.

jantar na casa da mãe minha aos finais de semana ( pra sempre ).

ter um filho que é a cara do meu pai.

ir buscar meu filho no colégio e ter medo de quem ele pode virar estudando em um colégio particular daqueles.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

A ETERNIDADE

Tradução: Augusto de Campos
De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.