Tragédia Tecnológica
Aqui quem grita não é mais o bode, o que grita é a placa mãe em falência múltipla do sistema, presidente. Presidente... Não existe mais um cidadão. O que vemos aqui é uma aparelhagem complexa de homens que se estendem em 5, 6, 7 pessoas virtuais e que vão derrubar você, presidente.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
Vivemos o primeiro dia do mundo desde sempre. Foi o homem quem repartiu o tempo, mas do ponto de vista do universo, o tempo é sempre o mesmo dia longo. Você e eu nascemos no mesmo dia que as nossas mães. A gente se organiza pelo sistema dos relógios, essa outra definição humana, também não compreende que no mesmo instante que você nasce você também já morreu. Assim como nos conhecemos desde a primeira vez que nunca nos vimos, portanto, enquanto te espero você já chegou.
Essa: Uma vida de evitar as roupas brancas, nenhum deles gostaria de surgir amarelado para o outro. O que é branco, não se sustenta no tempo.
Essa: Uma vida de evitar as roupas brancas, nenhum deles gostaria de surgir amarelado para o outro. O que é branco, não se sustenta no tempo.
sexta-feira, 23 de março de 2012
Sensações estrangeiras – Ensaio sobre o futuro coletivo.
Eu chego distante de mim, lendo, no geral, prosa. Eu projetado no meu alto, um eu que me assiste ler. Rolou uma lágrima daqui a uns 30, 40, 50 anos, ou dois dias. Mas que merda morrer, eu nunca mais vou ler um livro como esse. Henry Miller me fez ter mais medo da morte, o limite da memória. Se no final do dia o cansaço faz mais sentido que o sono, alguma coisa deixou de comunicar-se com nossos desejos mais profundos. Se a vida alcançará seu oposto, cedo, tarde, em breve ou agora, nossa função seria descansar, um descanso eterno, como preparo para uma partida que não tem Henry Miller (ou Bukowski) na estante. Estar vivo já nos despende muita energia. O mais certo seria acordarmos, e deitarmos para descansar de dormir. O sentido da vida, talvez para algum povo, ou para os homens comuns, seja simples como o nada: O sentido da vida talvez seja não cansar jamais.
Eu chego distante de mim, lendo, no geral, prosa. Eu projetado no meu alto, um eu que me assiste ler. Rolou uma lágrima daqui a uns 30, 40, 50 anos, ou dois dias. Mas que merda morrer, eu nunca mais vou ler um livro como esse. Henry Miller me fez ter mais medo da morte, o limite da memória. Se no final do dia o cansaço faz mais sentido que o sono, alguma coisa deixou de comunicar-se com nossos desejos mais profundos. Se a vida alcançará seu oposto, cedo, tarde, em breve ou agora, nossa função seria descansar, um descanso eterno, como preparo para uma partida que não tem Henry Miller (ou Bukowski) na estante. Estar vivo já nos despende muita energia. O mais certo seria acordarmos, e deitarmos para descansar de dormir. O sentido da vida, talvez para algum povo, ou para os homens comuns, seja simples como o nada: O sentido da vida talvez seja não cansar jamais.
terça-feira, 20 de março de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Uma das coisas mais bonitas do mundo: Um bebê lutando para não dormir. Remete-me a um lingüista que perde o sono com o intuito de falar alemão mais depressa. Como se o sono fosse um tipo de morte os bebês lutam para não deixarem de conhecer a vida enquanto a gente dorme... Essa é a primeira luta que perdemos. Daí pra frente a maioria desiste de tentar conhecer todas as coisas do mundo, o resto vive pouco porque dorme pouco e morre logo. Os bebês pertencem à ordem do futuro e os homens à ordem das possibilidades.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
O direito é a atribuição dos méritos de cada um dos cidadãos que sofrem disputas jurídicas ou cotidianas. Direito é o jubilo da justiça. A justiça se desenvolve por mecanismos técnicos e também escorre pelo âmbito do passional, visto que são os homens que a regem. As normas jurídicas solidificam a moral, a ética e o bem estar sociais de cada um dos homens que pretendem se harmonizar em sociedade livre. A justiça pretende também a segurança dos nossos direitos, vontades e ambições, a justiça prevê a lógica e justifica os meios, a justiça descende do escambo. O direito é uma promessa social que envolve os homens em uma rede de leis invisíveis e deveres éticos, o direito de um estado o obriga ao pacifismo.
A detonação da vida também provém do direito legal, a legalização do escárnio e da animalidade. O espírito da lei acaba visitando plenários e plantas aquáticas, dá na mesma. A luz se joga morta sobre a desesperança que a justiça prega, quando abençoa o culpado com o benefício da lei.
A detonação da vida também provém do direito legal, a legalização do escárnio e da animalidade. O espírito da lei acaba visitando plenários e plantas aquáticas, dá na mesma. A luz se joga morta sobre a desesperança que a justiça prega, quando abençoa o culpado com o benefício da lei.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Reunião azeda de cores.
Eu irmão de irmão nenhum. Minha metade masculina perdida por aí, eu sorrindo pelo tempo que passou, eu irmão de uma saudade sem fim, por ele e só por ele eu voltaria no tempo, depois de agora eu nunca mais quis ser criança´, mas só por ele eu queria perder minha consicência quilo a quilo dos meus 75 quilos.
Hoje eu jantei com a distância e encontrei meu irmão na rua, na verdade meu irmão transmutado em um muro vermelho-mel que me lembrou o temperamento dele.
Meu irmão que agora vive do próprio trabalho que nunca mais poderá parar de trabalhar ( se não para de viver ).
Eu com menos razões para voltar pra casa e pra comer o último iogurte da geladeira.
Do meu irmão eu tenho saudade dos dentes e dos constrangimentos que ele causava, meu irmão perdido no mundo, eu perdido no mundo sem me encontrar comigo de hoje,
um Deus que não chove no verão.
Sensação de que ele esqueceu a chave e tá pra sempre me esperando no portão.
Irmão tradição, irmão ritual, irmão mesma saliva e meus cabelos.
O cara de olhos diferentes.
Hoje eu jantei com a distância e encontrei meu irmão na rua, na verdade meu irmão transmutado em um muro vermelho-mel que me lembrou o temperamento dele.
Meu irmão que agora vive do próprio trabalho que nunca mais poderá parar de trabalhar ( se não para de viver ).
Eu com menos razões para voltar pra casa e pra comer o último iogurte da geladeira.
Do meu irmão eu tenho saudade dos dentes e dos constrangimentos que ele causava, meu irmão perdido no mundo, eu perdido no mundo sem me encontrar comigo de hoje,
um Deus que não chove no verão.
Sensação de que ele esqueceu a chave e tá pra sempre me esperando no portão.
Irmão tradição, irmão ritual, irmão mesma saliva e meus cabelos.
O cara de olhos diferentes.
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
Sobre Sensação de Algodão.
Falo da solidão que cerca os atendentes e os motoristas, essa vontade de não deixar fugir um olhar que de alguma forma nos comunicou algo. Eu já estiquei conversas passageiras e as cidades enormes e populosas acabam criando sozinhos mecânicos. A forma como conversamos com nossas famílias, amigos e vizinhos, e continuamos, no fundo, esperando alguém que nos ligue as 3:45 da manhã pra dizer que comeu cream cracker e lembrou da gente. Talvez eu esteja acreditando que possa haver uma amizade-filme-de-Hollywood, mas isso não acontece por pura utopia, acontece por esperança. O som da chuva e a melancolia de sentir-se pequeno em relação aos eventos naturais. Pergunto-me aqui qual importância de sermos o que somos em meio aos furacões os trovões e a solidão incurável de sermos nós mesmos em meio a sei lá quantos bilhões de seres humanos que habitam... Os supermercados.
Sobre Dolosas Coxas
A solidão dos homens vem do berço, do pai que lhe rouba a mãe, do colega de sala que lhe rouba a professora. Eu falo da minha solidão. De qualquer forma este é um texto importante para mim, é resultado de uma fase que me tirou a fé em muitas coisas, do amor, da vida e das longas e míticas voltas por cima que a gente cresce acreditando que se pode dar após um tombo. Quando senti que não parava mais de cair, quase sem pensar e a partir de uma frase, desenvolvi todo o texto em poucos dias e foi assim que as coisas foram amontoando-se na tela do computador, tinha acabado de ler “O Anjo Pornográfico” e a partir dessa estética, dei voz ao meu sentimento de imensa devastação e desesperança não só quanto ao “amor”, mas também quanto ao ser humano como instituição e abrigo. Num momento onde havia parado o teatro e repensava minha relação com a arte e com o mundo, a catarse curou certas ranhuras, mas o teatro re-arromba essas feridas a cada ensaio e essa é a melhor forma de cura, acostumar-se a dor implacável e aproveitar essa solidão para transformar tudo isso em poesia para um novo teatro.
Falo da solidão que cerca os atendentes e os motoristas, essa vontade de não deixar fugir um olhar que de alguma forma nos comunicou algo. Eu já estiquei conversas passageiras e as cidades enormes e populosas acabam criando sozinhos mecânicos. A forma como conversamos com nossas famílias, amigos e vizinhos, e continuamos, no fundo, esperando alguém que nos ligue as 3:45 da manhã pra dizer que comeu cream cracker e lembrou da gente. Talvez eu esteja acreditando que possa haver uma amizade-filme-de-Hollywood, mas isso não acontece por pura utopia, acontece por esperança. O som da chuva e a melancolia de sentir-se pequeno em relação aos eventos naturais. Pergunto-me aqui qual importância de sermos o que somos em meio aos furacões os trovões e a solidão incurável de sermos nós mesmos em meio a sei lá quantos bilhões de seres humanos que habitam... Os supermercados.
Sobre Dolosas Coxas
A solidão dos homens vem do berço, do pai que lhe rouba a mãe, do colega de sala que lhe rouba a professora. Eu falo da minha solidão. De qualquer forma este é um texto importante para mim, é resultado de uma fase que me tirou a fé em muitas coisas, do amor, da vida e das longas e míticas voltas por cima que a gente cresce acreditando que se pode dar após um tombo. Quando senti que não parava mais de cair, quase sem pensar e a partir de uma frase, desenvolvi todo o texto em poucos dias e foi assim que as coisas foram amontoando-se na tela do computador, tinha acabado de ler “O Anjo Pornográfico” e a partir dessa estética, dei voz ao meu sentimento de imensa devastação e desesperança não só quanto ao “amor”, mas também quanto ao ser humano como instituição e abrigo. Num momento onde havia parado o teatro e repensava minha relação com a arte e com o mundo, a catarse curou certas ranhuras, mas o teatro re-arromba essas feridas a cada ensaio e essa é a melhor forma de cura, acostumar-se a dor implacável e aproveitar essa solidão para transformar tudo isso em poesia para um novo teatro.
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
" Igor -Só isso pode mudar as coisas... A melodia das coisas. Porque se você cria um som, uma música, você conversa com as coisas, entende? Conversa com o sentimento das coisas, com o sentimento das rochas, a única coisa que burla o egoísmo é a caridade da poesia, entende? Poesia é poesia pra todo mundo, depois de escrita não da pra regular a beleza... Se você convence alguém, que existe algo de bonito nas coisas, aí você faz que nem naquela música, você cria um sonhador... Eu sou bruto, mas queria fazer música, não teria muita coisa pra dizer... Mas acho que teria muita coisa pra sentir."
- Sensação de Algodão
- Sensação de Algodão
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Cena cortada.
Ela, aos olhos dele, vestia-se de deficiência perfeita quando nua, ela, refletida nos olhos dele, garantia-lhe uma cegueira seletiva onde somente os braços desapareciam. Nua, sempre perdia os braços, como as musas gregas, perfeita em colo e rosto.
Em troca ela o amava como tudo. Tinha sonhos onde lhe dava um filho por dia, sonhos onde ela mesma botava ovos e ficavam os dois diante da luz lambendo os ovos perfeitos botados por ela e fecundados por ele. Eles tinham filhos todos os dias. Não lhe bastava amá-lo como mulher, ela gostaria de existir como qualquer fêmea do mundo, se assim ele fosse o objeto do seu afeto. Ela apaixonada em qualquer espécie, mesmo que galinha, mesmo que nessa sua nova configuração de ser vivo ela precisasse carregar um nome no diminutivo “galinha”, “inha”, porque no caso, lhe emocinava ser casada com um galo. Ela sorria ao saber que seu macho vivia uma sociedade com o Sol e que era ele quem comandava o início dos trabalhos dos homens todos os dias. Sem medo algum ela sonhava com essas asas galináceas que não permitem o vôo, ela ao lado dele não via esforço algum em viver para sempre na Terra sem conhecer os suspiros do ar, sem medo algum ela era uma mulher que queria botar ovos para ele, para sempre.
Em troca ela o amava como tudo. Tinha sonhos onde lhe dava um filho por dia, sonhos onde ela mesma botava ovos e ficavam os dois diante da luz lambendo os ovos perfeitos botados por ela e fecundados por ele. Eles tinham filhos todos os dias. Não lhe bastava amá-lo como mulher, ela gostaria de existir como qualquer fêmea do mundo, se assim ele fosse o objeto do seu afeto. Ela apaixonada em qualquer espécie, mesmo que galinha, mesmo que nessa sua nova configuração de ser vivo ela precisasse carregar um nome no diminutivo “galinha”, “inha”, porque no caso, lhe emocinava ser casada com um galo. Ela sorria ao saber que seu macho vivia uma sociedade com o Sol e que era ele quem comandava o início dos trabalhos dos homens todos os dias. Sem medo algum ela sonhava com essas asas galináceas que não permitem o vôo, ela ao lado dele não via esforço algum em viver para sempre na Terra sem conhecer os suspiros do ar, sem medo algum ela era uma mulher que queria botar ovos para ele, para sempre.
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