sábado, 20 de março de 2010
Eu fui fazer um samba (e desisti)
Faz tempo que não falo das coisas que vejo, acho que isso perdeu muito do antigo tesão, antes eu falava como quem analisa, hoje eu não analiso mais nada, eu só "percebo”. Percebo estilo, percebo proposta, não adianta mais falar das minhas percepções, elas tem sido muito minhas, muito íntimas e muito ligadas aos meus ideais no teatro talvez dizer "a cena tinha muito daquilo que eu vejo no ônibus pro frei caneca" não seja o mais bacana, mas para mim isso resume um universo, meu universo constrangido.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Descrição no Japão
- E como ele era?
- Era mais ou menos assim... Tinha cabelo liso e preto, olhos puxados, pele da cor da minha e mais ou menos minha altura.
- Só isso?
- É, acho que sim.
( As vezes tentando escrever... Escrevemos cada BOBAGEM !)
- Era mais ou menos assim... Tinha cabelo liso e preto, olhos puxados, pele da cor da minha e mais ou menos minha altura.
- Só isso?
- É, acho que sim.
( As vezes tentando escrever... Escrevemos cada BOBAGEM !)
Trecho (novo) do conto novo
"Tanta coisa eu deixei de fazer. Tanta coisa eu esqueci que queria ser, tantas vezes eu vivi automaticamente que acabei esquecendo de como é ser eu mesma por prazer, o mundo ficou surdo e nunca mais me ouviu chorar, aprendi a engolir o choro por isso, e o último pássaro que ouvi cantando foi em alguma lembrança que deixei escapar e colorir meus ouvidos."
segunda-feira, 15 de março de 2010
Serei para sempre
Serei para sempre o cara diferente que ficava sozinho em casa depois do colégio o cara que alguns amigos nunca entenderam, mas gostavam da companhia, sinto que serei assim em algumas lembranças e em outras acho que nem existirei. Fico feliz de fazer parte do imaginário coletivo de alguns amigos... "Você ainda fica sozinho em casa?", "lembra quando ficávamos tomando coca e escutando legião?” Sinto que essas pequenas coisas fizeram parte de uma época feliz da vida de alguns companheiros de estrada, assim como eu sempre me lembro do piso brilhante de madeira avermelhada do apartamento de um amigo. A vida é basicamente isso, criar memórias boas e adorná-las com nostalgia,por isso eu serei para sempre o amigo diferente que ficava em casa escrevendo e tomando coca-cola. Engraçado como isso me faz feliz. Tenho vontade de filmar coisas assim, ou traduzir em palavras, filmes, roteiros, poesia e teatro sobrevivem disso, pelo menos no meu coração existe lugar só para esses dramas humanos, essas sensações e esses dias inesquecíveis. Ser uma lembrança boa é uma delicia.
sábado, 13 de março de 2010
Saudades do que ainda tenho (?)
Um velho amigo, um homem que eu sempre enxerguei como um exemplo, desde molequinhos, nele eu já via hombridade, respeito e talento pra ser feliz, meu melhor amigo talvez, desde sempre ele me acompanhou, rimos de coisas sem graça, brigamos por bobagens, mas sempre eu soube que seria ele meu amigo para sempre, acho que ele também acreditava nisso, acho que já cheguei a chamá-lo de irmão. Talvez tenha sido o teatro, ou talvez não tenha sido nada, fato é que ele não mais fala minha língua, nunca mais consegui contar-lhe uma angústia, engraçado que ele continua meu amigo, sempre penso nele, e ele em mim com certeza, mas não temos mais nada em comum, além da saudade de sermos amigos, irmãos, confidentes e colegas de escola. Talvez tenha sido meu teatro ou a família dele que sempre me achou uma péssima amizade (eu nunca soube o motivo)... Meu 1,80 ou o cabelo curto que ele começou a usar sem me avisar que mudaria o corte. Sinceramente eu não sei, mas acho que essa é a minha amizade mais antiga e hoje em dia, mais nostálgica. Falsa? Acho que não, ainda gosto dele como um irmão, ainda lembro dele quando escuto "você meu amigo de fé..." portanto não pode haver falsidade. Talvez um respeito pelo nosso passado de amizade e camaradagem, isso sim pode existir, mas eu acho que nisso prefiro me enganar, prefiro acreditar que de alguma forma ele compreende que eu mudei, mas que para sempre teremos esse vínculo de amizade e de anos incríveis. Acho que vou tentar puxar algum assunto dia desses, talvez eu até lhe diga que ele faz uma falta colossal, mas seria bobagem minha, ele sabe que faz e eu sei que também faço. Não fazíamos coisas grandes, nada como viajar juntos ou namorar duas irmãs gêmeas... Éramos mais simples e sinceros que isso, gostávamos de adivinhar o que seríamos no futuro, e hoje no futuro, temos a resposta que nunca daremos um ao outro.
Surpresa x Indiferença
Esses dias tive um dia agitado, quase nunca os tenho, mas nesse dia tudo parecia urgente e final, tive uma reunião sobre um projeto, depois fui ao lançamento do livro de uma amigo e emendei uma peça, claro que fiz minha famosa cara de " ahh , vou ver essa peça" com desanimo e moleza, fiquei de quatro. A peça tava linda! "A Tempestade" de William Shakespeare. Que texto lindo! Que montagem interessante cheia de pensamento, cheia de corpos vivos em cena, cores deslumbrantes, atores muito bem centrados no seu trabalho, desenhos fantásticos, acho que continua por lá ( Memorial da América Latina), eu que estava desmanchado na cadeira terminei o espetáculo bem na pontinha da poltrona, salivando e perdendo o fôlego, o teatro cura o espírito. E o bom teatro ainda me faz virar espectador puro e sóbrio de teorias, ainda bem!
terça-feira, 9 de março de 2010
Pra não dizer que não falei dos mitos
Eu juro que nem percebi o Oscar, é tradição na minha fámilia assistir a cerimônia todos juntos, ficarmos repetindo "oscar goes to", e combinarmos de assistir os vencedores de "melhor filme", mas esse ano foi tão diferente, acho que minha mãe nem falou a palavra " Oscar" , muito menos meu pai. Hoje acordei e vi no jornal a lista, nem me dei ao trabalho de ler, o Oscar perdeu tanto do seu brilho. Na verdade eu nunca fui apaixonado, mas agora que eu penso mais em arte, cinema, atores e rumos, isso me pareceu mais bobo do que nunca. Acho que enquanto era apresentado o Oscar eu assistia o desenho animado do Batman e tentava dormir. Todas as pessoas que eu vi comentando a premiação comentaram com descaso, com ar de saco cheio, elogiaram alguns vestidos e só. Não senti a menor obrigação de falar sobre o Oscar aqui no blog, mas acho que eles não devem ter se importado com isso. Onde foi parar o mundo que parava pra ver essas coisas? Copa, Oscar, Olimpíadas, jogo do Brasil, último episódio da novela... Acho que o mundo esta ficando mais ciente de que o que realmente importa não passa na televisão.
domingo, 7 de março de 2010
Doente de direção
Nunca mais conseguirei ver nada com olhos ralés e despretensioso, para mim as cenas do mundo são cheias de sentimentos e texturas, tudo que acontece pertence à um estilo, já fui em festas surrealistas, bares expressionistas e tantas outras coisas indefiníveis. Para quem segue o mundo da direção, viver atentamente é babar de vontade, não seria incrível dirigir um assalto à mão armada? Ou dirigir a primeira noite de sexo de um casal que acaba de se conhecer. Penso que o grande jogo de dominós que alguns chamam de “destino” é algo lindo de se observar. Às vezes quando me vejo sozinho em algum lugar, seja no meu quarto, seja no último vagão do metrô, fico cismado em “como só eu no mundo todo estou aqui”, qual a função dramática desta minha ação no espetáculo? Eu queria poder dirigir cenas da vida real, até dirijo, mas só eu vejo.
quarta-feira, 3 de março de 2010
My Girl
O problema é que ela não é minha, trata-se da garota mais perfeita que já conheci... O tipo de mulher que olhamos e esquecemos de tudo, fico feliz dela ter conhecido o melhor “Marcio” possível. Minha timidez e a dela ficaram-se paquerando um tempo e então o absurdo aconteceu, rompi o silêncio. Eu sinceramente acreditei que fazia o certo e acho que fiz mesmo. Ela arregalou os dois olhos mais lindos do universo, sorriu o sorriso mais lindo do mundo e falou toda empolgada, sobre sua vida, sobre seu passado, sobre quem ela pensava ser, sobre quem queria ser. Falei frases cortadas, mais sorri do que falei, mais olhei nos olhos do que escutei. Talvez minha mente adolescente tenha fermentado um clima mentiroso, mas acho que não, aquela garota-raio-de-sol, estava mesmo correspondendo. Os olhos abraçavam os meus e os sorrisos correspondiam com carinho, virei em 15 minutos um garoto de 15 anos, perdido, feliz, ansioso e articulado como um cachorrinho contente. Meu espírito fez tanta festa que contagiou o dela, senti alegria no momento todo. Depois silêncio. Depois alegria de novo. O melhor de mim soube exatamente o que fazer, não era o momento, engraçado que eu posso nunca mais vê-la, mas definitivamente aquele não era o momento de um passo ousado, era hora só de flertar com a vida e sofrer de paixonite aguda, comunico que não posso desistir, não devo e nem quero, ela é tão perfeita que nem me deu tempo de conhecê-la melhor, para não perder o encanto. Foi o mais puro James Dean e Natalie Wood, as inquietações e as vozes sussurradas deram o tom. Sorrisos, muitos sorrisos. Confesso que o assunto foi um tanto banal, mas os corpos estavam inesquecíveis. O nó no peito indescritível e “My Girl – (The Temptations)” deu-me um breve adeus, com cara de “te vejo por aí”... Sobrou uma noite infinita.
Atirado, atraído e rejeitado
Atirei-me pela segunda vez no processo seletivo da SP Escola de Teatro, me sinto muito atraído pela escola, mas fui rejeitado pela segunda e retumbante vez. Não sei se é a minha vontade de fazer ou se é minha prepotência que me cegam ao ponto de eu não entender o motivo, a seleção por redação eu mereci, fui prepotente o bastante pra escrever o que eu tinha certeza que eles não gostariam de ouvir. Talvez se eu tivesse escrito algo pra agradar, também não tivesse sido aprovado o que é bastante provável. Dessa segunda vez o golpe veio da parte do Curso de Difusão, seleção feita por currículos, talvez o meu seja fraco mesmo, não sei se aceito o fracasso ou se fico sentado prepotente pensando em motivos mesquinhos para eu não ter passado nas duas seleções... Não sou um ser humano bom o bastante para ponderar essa situação, no momento estou me sentindo o cara mais injustiçado do mundo. O problema é que só eu sei o quanto preciso de teatro, talvez se os outros soubessem, as coisas fossem mais fáceis. E claro que além da chateação de não ser aprovado eu somo também essa novidade, descobrir que ainda sou mesquinho, prepotente, arrogante e egoísta. Por que eu deveria passar? Eu? Quem sou eu? Por que eu mereço mais que alguém? Engraçado é eu saber que preciso de respostas para estas perguntas, saber até quais são as respostas “certas” mas não acreditar em uma só palavra de humildade. Eu queria ter passado e pronto. Eu merecia ter passado e pronto. Ainda sou mimado e pronto. Mas uma coisa eu ganhei, quando não li meu nome na lista a primeira coisa que pensei foi “saco, tenho que esperar a próxima”... Pois é, na próxima seleção lá estarei eu, com meus dois nãos e minha prepotência, pisada e espero eu que diminuta. Não vou deixar de tentar, e nem vou tentar deixar o teatro, nunca.
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