segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sobre felicidade muda

A felicidade geralmente é dita ou vista em sorrisos e olhos grandes, chego a pensar que a verdadeira felicidade só dá um nó na garganta e nos deixa com o corpo mole e o peito quente, é satisfação , ficar satisfeito tem sido a minha maior alegria nos últimos tempos, não completamente mas uma parcial satisfação é imensamente prazerosa e estimulante, nos últimos tempos fiz “bicos” como diretor e fiquei contentíssimo com o resultado, as quatro meninas que dirigi ( duas em cada cena) tem realmente gosto e garra no que fazem, isso facilita... Mas mesmo assim fiquei satisfeito pela satisfação delas, as cenas foram sucesso e agora espero o resultado de ambas, com o coração leve e a cabeça no lugar, quem dera ter tido 2 meses com cada grupo, acho que aí sim eu teria satisfação por alguns bons dias.

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semente de diretor plantada...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

O Menino Silas

Na plataforma do metrô Anhangabaú, se aproxima um menino com jeito afeminado e pergunta onde fica o Imirim, indico o caminho, penso melhor e digo que também vou para lá, o menino fica feliz e confuso, não entende bem o caminho, ele não quer só me seguir... Quer aprender também o intinerário. Não dou muito assunto, penso que o menino Silas pode estar querendo cantar a mim ou ao meu amigo Igor (e ele queria mesmo) o menino anda pelas ruas de São Paulo cantando músicas do pai, o pai é cantor Gospel e ele anda por aí vendendo cds e cantando alguns trechinhos, é engraçado que ele tem uma voz sertaneja em um jeito de quem acha que canta bem, ele é seguro no que faz.

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Já afastado de nós eu percebo que ele tenta abrir um tubinho de chocolate, com uma só mão, ele não tinha nada além do cotovelo no braço esquerdo, até aí eu não sabia do ideal do garoto, para mim era só um deficiente afeminado me pedindo informação. Levantei e disse "é aqui" ele veio comigo e fomos papeando os três até a estação Santana.

Nesse curto caminho soubemos que o Menino Silas já havia vendido 1800 cópias do disco do pai, e que logo eles venderiam milhões, pois Deus estava com eles e logo teriam uma divulgação maior. Enquanto o pai cuida dos filhos em casa o garoto vaga pela noite vendendo cds e conhecendo gente muito diferente dele.

.Resolvemos cantar os três (no final só cantamos eu e o meu camarada Insidream), cantamos desde "Eu juro" até clássicos como "Like a rolling Stone", "Gota D'agua" e várias outras coisas que o Menino Silas disse não conhecer. Eu não conhecia seu pai e ele não conhecia Bob Dylan ou mesmo Chico Buarque, isso é bastante justo. Mas em troca o menino Silas cantou coisas do seu repertório “Mãe querida“ (se me recordo bem) e “Deus do impossível” (eu acho)

.No final percebi que ele não tinha nada de afeminado, só era um daqueles meninos bons e bem criados, evangélico e simpático pela rua.

Silas com seu bilhete único especial para deficientes e seus ideais, sua crença e seus sonhos, pequenos valores que para ele valeriam a vida e a chance de uma vida, o menino que só vai namorar depois que estiver formado em comércio exterior e direito, ele sim é gente boa e brava gente brasileira.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Por qual ?

Comecei a escrever algo e fiquei entre estilos... Na verdade é um exercício, gostoso exercitar o que a gente nem lembrava que gostava de fazer...




"Cheguei da rua cinza e senti aquele perfume doce, ali eu soube que ela havia saído, pois a muito não ficava perfumada em casa. A menina que me esperava na rua do lado de casa, agora não me esperava nem para jantar, não sei onde foi que isso se perdeu, ou se foi ela que se encontrou e eu fiquei pelo caminho."

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"Chegou da rua cinza e respirou logo na entrada o perfume doce que era de despedida sem dúvidas, havia muito tempo que ela não se perfumava para ele, ou mesmo para ficar em casa. Os retratos nas paredes eram tão incorporados ao branco-beje que nada significavam, e não representavam aconchego de forma alguma."

domingo, 20 de dezembro de 2009

E eu que nem vi ...

Chegar o natal, eu que nem vi terminar o ano, eu que ando meio cambaleando pelo tempo, parei para pensar. Posso dizer que foi um ano importante na minha vida, não um ano feliz ou triste, longe dessas coisas, só foi "importante". De fato escolhi minha profissão, abri mão da minha felicidade pela de outra pessoa, conversei muito sozinho, passei a amar mais meus cachorros, fortaleci amizades, rompi um namoro, enfim! Cometi todas essas coisas que nos fazem perceber que não somos especiais, apesar de cada pessoa protagonizar a própria vida isso não significa final feliz para todos, somos todos Hamlets, protagonista levados por fatos, dúvidas e precipitações. Foi importante eu ter me perguntado "ser ou não ser" várias vezes durante esse ano, percebi que sou o que sou e prontoacabou*. Hoje sei que sou um jovem rapaz que acredita em arte, e acredita muito, um cara que tem uns 8 ou 10 melhores amigos e as vezes não tem problemas em dizer " eu te amo "... E as vezes tem problemas em dizer " oi " com um beijo no rosto. Minhas relações familiares tornaram-se complexas, nada mais consiste em esperar o papai chegar em casa ou a mamãe fazer o jantar. Agora as coisas mudaram, faço minha parte, sou filho e futuro da minha casa, futuro e problema corriqueiro no assunto "emprego normal". Encontrei ideais impossíveis e metas impalpaveis, criei amigos eternos e rancores inesquecíveis, talvez tudo isso faça parte de uma grande coisa, ou de um pequeno 2009. Sorri muito, muito mesmo, mas não gargalhei até chorar, e nem chorei, nenhuma vez. Um ano sem choro mas com tristezas e alegrias marcantes e fascinantes, 18 anos, 85 kgs e uma profissão.

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Descobri que dentro de mim existe uma felicidade simples de se preencher, uma dedicação que me guia de forma engraçada, não crio obrigações ou coisas assim, eu só faço e fico satisfeito de ter feito, aprendi que sei diferenciar meus pensamentos mal humorados das situações reais, quando fico deprimido tenho a calma de esperar passar e aí sim analisar alguma coisa, na verdade descobri que sou mais cinza que certo amigo cinza. Não mais, mas estamos na briga. Acho que no fim de tudo eu percebi que

All you need is love

All you need is love

All you need is love, love

Love is all you need

De uma mulher ou próprio… Ou mesmo pela sua arte. Se possível a trindade.

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Feliz 2010 para o mundo.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

The Warriors-


Um filme oitentista do começo ao fim... Oitentista mesmo! Fiel à todas as nuances da época, digno e moderno. Daqueles que você vê para rir e termina encantado com a época, com as inclinações da direção e com os figurinos futuristas-manjados. Uma tarde bastante calma. Foi essa tarde que meu irmão resolveu assistir essa "classiqueira" das boas... Começou e lembrei de "Laranja Mecânica"... Lá pelo meio eu já via algo de “De volta para o futuro” e no fim eu vi The Warriors, um filme autentico carregado de imagens e sentimentos jovens, todo jovem anda por aí procurando “aventuras” com o pretexto de “voltar para a casa", realmente tem um diálogo (mínimo), porém arrebatador... Fiquei encantado com as atuações precisas, quase minimalistas, contrastando com os cenários poluídos e a visão um pouco estereotipada e forçada da sociedade da época ( eu disse "um pouco"? ). Na verdade o filme vislumbra o futuro daquilo tudo que acontecia, o futuro que poderia ser o hoje se nada tivesse mudado, e mudou? Um grande trabalho de cinema... Uma bela direção e uma linguagem eternamente jovem. Um clássico com categoria. Lembrou-me muito " A Caçada Humana " ( com Marlon Brando) uma visão distorcida e doentia do futuro, quase sintomatica no cinema inteligente que vez ou outra se arrisca à previsões.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Aconteceu com força

O teatro aconteceu, uma turma jovem e para o futuro, com uma diretora viva e destinada a fazer esse processo dar certo... Foi tudo que senti todas as esperanças e idéias condensadas nesse trabalho, a estréia foi linda, o segundo dia ficou devendo, mas o terceiro teve uma adrenalina que jorrou para o público, uma das poucas vezes que vi uma platéia tão entregue, tão mole na mão e na boca dos atores, o tempo ficou sólido com a energia desse Molière, brincamos desenvolvemos e retalhamos o tempo, pausas e olhares, gestos e tonos, tudo correu da melhor forma que poderia. Algumas propostas novas deram super certo e outras antigas morreram na praia, o público julgou e condenou, mas os atores (todos eles) foram absolvidos e gratificados por Dionísio ( ou pela nossa mestra Sandra Corveloni)

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E ficarei um bom tempo voltando neste assunto “Na Companhia de Moliére” foi um marco na minha vida... E na minha arte. Não só na minha.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O Deficiente. Breve.

No metrô vejo um homem com o rosto deformado, em segundos olhei bem para ele, mas de forma discreta, vi que ele segurava uma criança pela mão... Vejo o cabelo loirinho da menina e rápido eu olho, para ver se ela também tem o rosto do sujeito, não tinha, ela era muito fofa.

Fiquei pensando nisso... Na volta pra casa, fiquei pensando nisso, em como somos cruéis procurando sempre os defeitos dos outros, em como gostamos de ver a desgraça e como procuramos por ela em quase tudo... Esses humanos!

sábado, 5 de dezembro de 2009

O Artista que me respeitou.

Foi ele quem me deu as primeiras aulas de teatro da vida... Ele que um dia me disse "Gostei, mas ta uma merda" e sem falsa modéstia foi ele o primeiro professor que eu sei que agradei. Sempre fui dedicado nas aulas dele, sempre lutei para satisfazê-lo, hoje sei que errei, mas acabou que fiquei para sempre com esse grande artista como um herói do teatro... Como uma presença passageira, mas que sempre se faz notar nas minhas impressões e reflexões. Hoje o encontrei, sempre o encontro, mas poucas vezes falamos mais que o "oi" ou o aceno de cabeça. Hoje resolvi lhe falar alguns projetos futuros, olhou-me como costumava olhar-me naquelas primeiras aulas, um olhar que me agradava e que me agradou, um olhar de quem via o futuro e de quem vê vontade. Concordou com quase tudo que eu disse, achou mesmo que eu deveria ver outros caminhos e experimentar tudo (ou quase tudo). Deu um sorriso de lado como quem diz "Até que enfim você entendeu hein?" ainda que seja uma ilusão ou menos prepotência minha, senti que ele esperava isso de mim, senti que ele esperava algo do aluno que ele foi sensível e duro ao mesmo tempo. E terminou que senti que eu não falava mais com um eterno professor, mas com um colega de profissão. Um artista mais antigo.

Eu sei que uma dor assim pungente...

"Eu sei, eu sei! Que uma dor assim pungente, não há de ser inutilmente... "

O teatro (amador?) é algo que realmente envolve algo que não queríamos envolver... Envolve um pouco de racionalidade e outro pouco de (medo?) aprovação. Sei que quero um bom espetáculo um bom conjunto e um reconhecimento no palco, do trabalho da Sandra e de todos nós. Sei que quero tudo isso, mas agora que estamos perto de, de fato ouvir palmas ou palmas ( menos efusivas) sinto que nada ficou pelo caminho e tudo tem que culminar agora, ou na nossa eterna satisfação ou no nosso eterno arrependimento. Tenho plena noção que esse momento nunca mais voltará, mas tenho medo de ficar procurando essa sensação de estréia para sempre. Na verdade eu falo de medo, mas acho que o real sentimento é o de sair das asas da diretora... Dar a cara pro público e dizer "eu pensei isso" e "eu propus isso" dar a cara pra nossas famílias e grifar em baixo "ATOR"

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Para ler quando desanimar...

A vida é boa quando vivida com calma e sem previsão...